Há uma tendência comum entre quem planeja uma viagem a esta cidade. Reserva-se a entrada para os Fóruns, calcula-se o tempo para os Museus do Vaticano, inclui-se um passeio no centro e o roteiro está fechado. A arte contemporânea acaba quase sempre no fim da lista de prioridades. No entanto, Roma tem uma produção moderna e urbana muito sólida, que corre em paralelo com as ruínas antigas e as igrejas barrocas. Em abril, as temperaturas são ótimas para passar várias horas ao ar livre. Este é um detalhe decisivo se você quer explorar os bairros periféricos à caça de murais ou se procura uma alternativa aos percursos lotados do centro. Sair das rotas clássicas permite ver uma cidade diferente, vivida pelos moradores, onde os ritmos são menos ditados pelos fluxos turísticos.
Os grandes espaços de exposições
Se chover, se fizer frio ou se você simplesmente preferir os espaços fechados e estruturados, existem cinco polos principais dedicados à arte moderna e contemporânea. Eles têm identidades, preços e lógicas muito diferentes entre si.
- MAXXI: Fica no tranquilo bairro Flaminio. Você chega lá facilmente com o tram 2. O ponto final é na Piazzale Flaminio, logo na saída da Piazza del Popolo. O edifício, projetado pela arquiteta Zaha Hadid, já vale a viagem por si só. Os espaços internos são enormes, feitos de rampas curvas, escadas suspensas e concreto aparente. As exposições temporárias podem ser complexas ou muito específicas, mas a estrutura em si nunca decepciona. Para os preços atualizados dos ingressos, consulte o site oficial do museu. Há uma grande praça externa onde na primavera é agradável parar para tomar um café ao sol antes de voltar para o centro.
- MACRO: A sede principal fica na Via Nizza, no bairro Salario. Você pode planejar o trajeto com o transporte público consultando o site da ATAC. Para informações sobre os preços de entrada, verifique no site oficial do local. Este espaço não tem uma coleção permanente fixa. Funciona como um grande recipiente para instalações temporárias, publicações independentes e performances artísticas. Às vezes você o encontra cheio de obras interessantes, outras vezes parece um pouco dispersivo. Como não se paga, faz sentido entrar, dar uma volta e depois subir ao terraço no telhado, um lugar muito tranquilo para descansar as pernas.
- Mattatoio: Estamos em Testaccio, facilmente acessível com o transporte público consultando o site da ATAC. Os antigos pavilhões industriais onde antes se abatia a carne hoje abrigam exposições de fotografia, arte contemporânea e performances. A arqueologia industrial do lugar, com os trilhos de ferro ainda pendurados nos tetos e as velhas câmaras frigoríficas, cria um contraste nítido com as obras expostas. É um espaço bruto, perfeito para uma tarde de fim de semana, para combinar com um almoço numa das trattorias de Testaccio.
- Galleria Nazionale d'Arte Moderna e Contemporanea (GNAM): Em Valle Giulia, a dois passos da Villa Borghese. É facilmente acessível com os trams 3 ou 19. Aqui você encontra as obras do século XX italiano e internacional, de Balla a Fontana, até Pollock. O edifício tem um aspeto clássico e monumental. A organização interna foi, no entanto, completamente misturada nos últimos anos. Hoje já não segue a ordem cronológica, mas propõe combinações visuais entre épocas diferentes. A grande escadaria externa está sempre cheia de estudantes universitários. Para verificar os horários atualizados e as exposições em curso, você pode consultar a seção dedicada no portal turístico oficial de Roma.
- Palazzo delle Esposizioni: Fica em pleno centro, na Via Nazionale. É o maior espaço de exposições interdisciplinar da cidade. Não tem uma coleção própria, mas recebe exposições temporárias de altíssimo nível, muitas vezes dedicadas a grandes fotógrafos internacionais ou a correntes artísticas específicas. O edifício é imponente e as salas são imensas. Se você está hospedado na zona de Termini ou Monti, chega lá a pé em poucos minutos.
Os murais entre Ostiense e San Paolo
Se prefere caminhar e o clima de abril permitir, a zona sul da cidade oferece quilômetros de street art. Ostiense é um antigo bairro industrial que mudou de cara nos últimos quinze anos, convertendo velhos armazéns em bares e escritórios. Chegue à zona consultando os trajetos no site da ATAC e siga em direção à Via del Porto Fluviale. Aqui os prédios residenciais e os antigos depósitos tornaram-se telas de concreto para artistas internacionais.
No cruzamento principal você vai encontrar o antigo quartel da aeronáutica com as fachadas pintadas por Blu, uma obra enorme que cobre todo o perímetro do edifício com rostos coloridos que parecem observar o trânsito. Um pouco mais à frente, num prédio adjacente, estão os trabalhos em preto e branco de Roa. Os murais continuam espalhados ao longo de toda a via Ostiense e chegam até à basílica de San Paolo. O município organiza frequentemente percursos de pedestres para valorizar estas obras e dar a conhecer a história industrial da zona, como se nota pelas iniciativas promovidas para os domingos ecológicos.
O melhor momento para fazer este passeio é de manhã, por volta das nove ou dez horas. O trânsito da via Ostiense ainda não é asfixiante e a luz rasante bate bem nos velhos edifícios industriais e no grande esqueleto metálico do Gazometro, visível de quase todos os cruzamentos. Depois da caminhada, você pode parar numa das muitas padarias da Via del Porto Fluviale para comprar um pedaço de pizza bianca.
Os projetos urbanos de Quadraro e Tor Marancia
Se você se afastar das zonas mais centrais, há dois bairros onde a arte urbana entrou diretamente nos pátios das habitações sociais, mudando o aspeto de quarteirões inteiros.
O primeiro é o Quadraro. Para chegar ao Quadraro, você pode planejar o trajeto no site da ATAC. Aqui nasceu o projeto M.U.Ro, um museu de arte urbana que se desenrola pelas ruas de um bairro com uma forte identidade local e uma história partidária muito enraizada. Você não vai encontrar os paralelepípedos perfeitos ou as lojas de souvenirs. Há os mercados de bairro, as lojas históricas e dezenas de obras pintadas nas paredes cegas dos prédios. O Quadraro pode ser bem explorado a pé em um par de horas. Você pode caminhar sem rumo pelas ruas estreitas ao redor da Via dei Lentuli e da Piazza dei Tribuni.
A outra zona para marcar no mapa é Tor Marancia. Do centro, você pode chegar à Viale Tor Marancia verificando as linhas no site da ATAC. O projeto Big City Life transformou um complexo inteiro de habitações sociais dos anos cinquenta numa galeria de arte a céu aberto. Vinte e dois artistas de todo o mundo pintaram as fachadas dos prédios, criando obras com quinze metros de altura. Você entra no pátio dos lotes e vê-se rodeado pelas cores. É um espaço residencial real, com as roupas estendidas, as janelas abertas e as pessoas conversando nos bancos. Você entra na ponta dos pés, olha, tira duas fotos e respeita a tranquilidade de quem lá mora, evitando barulho.
As fundações e as galerias privadas no centro
Se você tem pouco tempo e não quer se afastar muito dos bairros históricos, existem alternativas válidas encaixadas entre os palácios antigos.
A dois passos do Circo Máximo e da Boca da Verdade, na Via del Velabro, fica o palácio Rhinoceros, gerido pela Fundação Alda Fendi. A entrada é gratuita. Recebe exposições temporárias e instalações, mas o verdadeiro motivo para entrar é a recuperação arquitetônica dos interiores assinada por Jean Nouvel. As paredes descascadas e os velhos pisos foram deixados intactos e combinados com blocos de aço, vidro e espelhos. Pegue o elevador, suba ao último andar e aproveite o terraço com vista para o Palatino, uma perspetiva incomum e muito silenciosa.
Se você estiver perto da Via Veneto, pode procurar a sede romana da galeria Gagosian na Via Francesco Crispi. Para os detalhes sobre os preços, consulte o site oficial da galeria. Os espaços de exposição foram criados num antigo edifício bancário. As dimensões das salas, com tetos altíssimos, permitem expor obras monumentais de artistas de primeiro plano a nível global. As exposições mudam regularmente, por isso convém verificar o site deles antes de passar por lá.
Em Trastevere há uma alternativa se você evitar as praças invadidas pelas mesas dos restaurantes. Procure a Via delle Mantellate. É uma rua sem saída junto à prisão de Regina Coeli, silenciosa, estreita e pouco frequentada por turistas. Ali, atrás de portões aparentemente anônimos, escondem-se pequenos espaços de exposição independentes e estúdios de artistas contemporâneos. Não há um letreiro luminoso a indicar o caminho, você tem de caminhar devagar e espreitar para dentro dos pátios abertos.
A melhor maneira de organizar estas paradas é dividi-las de acordo com o clima. Use as manhãs de abril para os passeios ao ar livre em Ostiense ou em Tor Marancia, quando o ar está fresco e a luz é nítida. Deixe os grandes espaços fechados como o MAXXI, a GNAM ou as galerias privadas para a tarde.
