Para o fim de semana de 18 e 19 de abril não há grandes concertos de estádio ou exposições temporárias a bloquear o trânsito. É uma daquelas semanas tranquilas em Roma. Quero ser honesto desde o início: se procuram o evento social do momento ou uma grande inauguração, este não é o fim de semana certo. Muitos turistas entram em pânico quando não encontram um grande nome em cartaz, mas na verdade isso é uma boa notícia. Significa que podem aproveitar a cidade sem a ansiedade das multidões concentradas num único ponto e dedicar-se àquelas coisas que os romanos costumam fazer durante os fins de semana de primavera.
O fim de semana para quem viaja com crianças
Andar por Roma com os filhos a tiracolo exige tática. Os paralelepípedos põem à prova os carrinhos de bebé e as distâncias entre os monumentos são enganadoras. Como o tempo em abril muda depressa, convém ter um plano B em espaços fechados. Em vez de os arrastar à força durante três horas pelos Museus do Vaticano, este fim de semana podem apostar em iniciativas específicas para a idade deles. Várias estruturas na cidade organizam encontros e oficinas práticas para famílias, com especial atenção para as ludotecas científicas. É uma forma prática de quebrar o ritmo intenso das visitas históricas e permitir que façam algo manual num ambiente pensado para os deixar descansar mentalmente.
Domingo de manhã em Porta Portese
No domingo, 19 de abril, podem dedicar-se a um ritual que se repete de forma idêntica todas as semanas: o mercado de Porta Portese. Não esperem o mercado de pulgas arrumado e silencioso que encontram noutras capitais europeias. É um mercado caótico e barulhento. É preciso muita paciência. Aviso desde já: uma boa metade das bancas vende roupa barata ou cabos de telemóvel.
Se procuram livros antigos, vinis, máquinas fotográficas de rolo ou peças de mobiliário vintage, têm de saber onde ir. Entrem pela Piazza Ippolito Nievo e sigam em direção à Via Ippolito Nievo. Esqueçam a entrada principal no Viale di Trastevere se não quiserem ficar presos na multidão que olha para as bancas de roupa usada. O conselho prático é apenas um: vão cedo. Por volta das oito da manhã caminha-se bem, os vendedores ainda estão a arrumar a mercadoria e consegue-se regatear. Ao meio-dia torna-se um teste de sobrevivência física.
A Via Ápia Antiga sem carros
Outra opção para sábado 18 e domingo 19 de abril é aproveitar a zona da Via Ápia Antiga. Ao domingo, o troço monumental torna-se totalmente pedonal e a ausência de carros muda a perceção do lugar. A primavera é a altura certa para lá ir. Em agosto faz demasiado calor para caminhar sobre as grandes lajes de pedra expostas ao sol, enquanto no inverno a lama nas bermas da estrada complica tudo. Os pinheiros mansos dão sombra apenas em algumas partes.
Podem alugar uma bicicleta no início do percurso, perto da sede do parque, ou simplesmente caminhar. Para se organizarem com os acessos aos vários mausoléus e catacumbas ao longo da via, convém verificar os horários e comprar os bilhetes com antecedência no site oficial dos sítios arqueológicos estatais. Levem uma garrafa de água grande e algo para comer. Os pontos de restauração escasseiam à medida que se afastam do centro e os poucos cafés que existem tendem a encher depressa durante os fins de semana de bom tempo.
Uma alternativa em espaço fechado em Ostiense
Se ainda assim quiserem incluir uma visita cultural neste fim de semana sem enlouquecer nas filas dos Fóruns Imperiais, sugiro a Centrale Montemartini no bairro de Ostiense. Não há exposições temporárias de grande destaque nestes dias, mas a exposição permanente é mais do que suficiente para justificar o bilhete. Os mármores clássicos e os grandes mosaicos romanos estão expostos no meio dos velhos motores a diesel de uma central elétrica desativada do início do século XX. O contraste entre as estátuas brancas e o ferro fundido escuro das máquinas industriais funciona muito bem.
É um dos museus romanos onde se caminha em paz. Não é preciso dar cotoveladas para ver as obras e há espaço físico para parar e ler os painéis informativos. Encontram os horários atualizados para sábado e domingo na página institucional da Câmara Municipal. Ao sair do museu, a zona de Ostiense oferece várias opções para almoçar de forma digna. Evitem os espaços mesmo em frente às estações de metro e procurem as trattorias nas ruas interiores, frequentadas principalmente por quem trabalha ou vive na zona.
Para se deslocarem neste fim de semana, tenham em conta que ao domingo o centro histórico fecha parcialmente ao trânsito privado e os táxis são muitas vezes impossíveis de encontrar nas zonas de maior passagem. Usem o metro para se aproximarem das zonas de interesse e depois confiem nas vossas pernas. Calcem sapatos confortáveis, de preferência com uma sola grossa para amortecer os paralelepípedos, e não façam planos demasiado rígidos.
